Por Fábio Euksuzian
A maturidade, intrinsicamente ligada à impiedosa passagem do tempo nos dá em algum momento de nossa existência a percepção da satisfação que brota de nosso âmago quando encontramos um sentido para nossa vida.
Já percebeu quantas coisas você faz e que são desprovidas de sentido? Na verdade, se analisarmos o que está em nosso redor, praticamente nada está baseado em um certo nível de lógica.
Debrucei-me em uma superficial reflexão sobre o sentido, a razão de ser de algumas coisas que a humanidade criou para ela mesma. Em questão de minutos, constatei assustadoramente que praticamente tudo que fazemos é desprovido de um bom senso ou propósito realmente verdadeiro. Fique tranqüilo, não será mais um discurso sobre o sentido da vida, de nossa existência, pra onde vamos, blá, blá, blá. Irei me ater ao significado que encontrei no dicionário à palavra sentido: bom senso, juízo, intento, propósito, objetivo, lógica, cabimento, razão de ser.
Poucas pessoas sabem que o termo trabalhar provêm do latim tripaliare, que significa martirizar com o tripalium (instrumento de tortura da época medieval). Será que é por isso que tacitamente o termo trabalho é aplicado no sentido de esforço, cansaço e/ou algo forçosamente ruim? Daí a expressão “dar trabalho” Ex: “Você acha que irei me dar ao trabalho de ler esta coluna” ou “Você me dá um trabalho desgraçado!”.
Será que é isto mesmo que deveria significar? Meditemos (no sentido de pensar) juntos: se passamos mais da metade de nossas vidas trabalhando; se acabamos nos tornando aquilo que fazemos repetidamente; deveríamos gastar nosso preciosíssimo tempo de nossa breve passagem pela Terra para nos torturarmos, executarmos durante anos a fio aquilo com o qual não temos a menor afinidade e não nos proporciona prazer e satisfação? Pois é, é isto o que a maioria dos seres humanos faz. E ainda nos intitulamos homo sapiens(será que um macaco concordaria com isto?). Eu sei que você vai dizer que existe toda uma pressão, expectativa social e familiar de que nos encaixemos em um padrão(ou caixão)especialmente moldado para nós. Mas, até que ponto vale a pena sacrificar sua saúde, qualidade de vida, tempo, realização e sonhos em troca de uma bem sucedida carreira que lhe trará dinheiro, status e a tão perseguida estabilidade e segurança? Perdi a conta do número de alunos meus que possuíam tudo isso e declaravam-se totalmente infelizes.
“Escolha um trabalho que ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”
Confúcio
Não estou dizendo que não devemos obter estes valores tão intrínsecos a sociedade mundial, mas questionando o caminho para conseguí-las. O reconhecimento pessoal e a recompensa financeira deveriam ser conseqüências de se fazer bem aquilo que gostamos e não o fator primordial para se enveredar em qualquer profissão.
Outro dia, brotou em minha cabeça a seguinte pergunta: “O que mudaria na minha vida profissional se eu ganhasse na loteria?” Imediatamente me veio a resposta: “Nada!” A resposta que proveio do meu interior me deixou profundamente satisfeito, pois significou que dinheiro não me conduziria à uma profissão diferente. Para confirmar, fiz o teste com outras pessoas e na grande maioria a resposta foi: “mudaria de trabalho”, “abriria meu próprio negócio em outra área”. Qual será a sua resposta?
Sabemos que falar, neste caso, escrever, é fácil, mas como disse Mestre DeRose, a vida só vale a pena se tivermos uma boa causa pela qual possa chorar ou sorrir, se possa viver ou morrer.
Creio que a maior dificuldade é descobrir aquilo que queremos fazer da vida, aquilo que nos move, que nos faz sair da cama todos os dias para enfrentar o que der e vier de peito aberto, porque simplesmente amamos e acreditamos naquilo que fazemos!
Tive a felicidade de fazer do meu hobby a minha profissão. Há 10 anos trabalhava como empresário no ramo calçadista; nunca foi uma paixão, mas era tradição familiar e havia as expectativas e afins. Até que um belo dia o Yôga cruzou o meu caminho, e o resto.. é história! Os poucos afortunados que conseguiram trabalhar com aquilo que gostam compreenderão claramente a próxima linha. Não há dinheiro no mundo que pague a satisfação e a harmonia proporcionadas pela paixão com que você executa sua profissão, tanto é, que alguns alunos me perguntam se não tiro férias e respondo que vivo em férias!
“Seja o que for que deseje ou sonhe, comece agora. A ousadia possui magia, genialidade. Busque aquilo que sempre quis”
Goethe
Você pode pensar que o sentido disto tudo está arraigado nos “valores” que você aprendeu quando criança. Valores que te disseram que você iria conseguir através de um bom emprego com um bom salário, não tendo a mínima importância a sua vontade em dedicar sua vida àquilo ou não. “Você deve estudar para ter um bom cargo, ganhar bastante dinheiro para sustentar uma família algum dia, só assim vai encontrar a felicidade” Então tá, né?
O valor das coisas é proporcionalmente igual à importância que você dá à elas!
Não encare este artigo como uma visão utópica de um filósofo romântico. Reflita e lembre-se do principio kármico: para que possa existir uma reação deve haver uma ação. Evite se preocupar com o tamanho da ação, por mais minúscula que ela seja, tenha certeza de que ela lhe auxiliará muito naquilo que você quiser modificar.
Uma vez perguntaram a um sábio:
O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu:
"Os homens que perdem a saúde pra juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro pra recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido."
Ééé amigo, como diria o bom e velho Caetano: “Não me amarra dinheiro não, beleza puuura”